Quem é jornalista, fica com um, ou até mesmo se interessa pelo assunto, deve ter visto ou lido algo a respeito da demissão do jornalista Felipe Milanez, editor da revista National Geographic Brasil, licenciada pela editora Abril.
Milanez foi demitido no dia 11 de maio deste ano, por ter feito uma crítica via twitter a uma matéria pubicada na revista Veja que (oi?) faz parte do leque de publicações da editora Abril (entenderam a ligação, né?). O jornalista em seu perfil no microblog, fez comentários a respeito da reportagem "A farsa da nação indígena", veiculada na Veja.
"Veja vomita mais ranso racista x indios, agora na Bolivia. Como pode ser tão escrota depois desse seculo de holocausto? (sic)", escreveu em post no dia 9 de maio.
Então, gente. O Milanez foi demitido por ter criticado em sua página pessoal do twitter uma reportagem inserida na maior publicação da editora, que até então pagava o salário dele, e como uma pessoa pública de imagem vinculada a empresa, deveria tentar guardar certos comentários. Mas eu fico me pergutando, até que ponto devemos nos reprimir de explanar nossa opinião? Só porque temos uma imagem ligada a algo, temos que nos render a qualquer coisa ligada a ela e ainda por cima elogia-la? Acredito que não.
Mas, como vivemos em um país onde a cultura pela imagem associada sempre a algo ou alguém ainda é muito forte, temos que pagar por atitudes de cunho repressivo, porque podemos assim dizer, que nos obrigam a sermos quem não somos, ou a acreditarmos que somos robôs projetados para crer que somos o que produzimos e adoramos qualquer ligação com a fabricante de nossas peças.
twitter do Milanez: @felipedjeguaka
reportagem "A farsa da nação indígena": http://veja.abril.com.br/120510/farsa-nacao-indigena-p-134.shtml